quinta-feira, 8 de junho de 2017

O vergonhoso caso dos nove chineses

Capa do Livro lançado em 2014

O primeiro escândalo da ditadura de 64: jornalistas e empresários chineses que viviam legalmente no Brasil foram presos, torturados e deportados.


Em abril e 1964, poucos dias depois do golpe militar que derrubou o Presidente democraticamente eleito João Goulart, nove cidadãos chineses foram presos pela ditadura, acusados de serem espiões estrangeiros planejando começar uma revolução comunista no Brasil.

Os nove chineses foram mantidos incomunicáveis por 39 dias. Permaneceram na prisão pelo resto do ano, sofrendo tortura e as terríveis condições do sistema prisional brasileiro, e foram “julgados” e condenados a dez anos de prisão. Poucos meses depois, todos os nove homens foram expulsos do Brasil.

Os “perigosos espiões chineses” eram, na verdade, dois jornalistas, quatro homens envolvidos na criação de uma feira de produtos chineses, e  três comerciantes de algodão - tinham vindo para o Brasil como parte de uma missão comercial que se seguiu à visita do presidente João Goulart à China, em 1961.

O incidente marcou o primeiro escândalo internacional das violações de direitos humanos envolvendo a ditadura militar no Brasil, e mesmo após o estabelecimento de relações diplomáticas, o Brasil nunca pediu desculpas à China ou devolveu o dinheiro apreendido dos nove homens no momento de sua prisão - o que equivale a mais de 360 mil dólares de hoje.

A história dos nove cidadãos chineses injustamente encarcerados no Brasil permaneceu praticamente esquecida até 2014, quando o livro dos jornalistas Ciça Guedes e Murilo Fiúza de Melo, “O Caso dos Nove Chineses”.

"A coisa mais impressionante para mim foi essa paranóia, que tornou nove homens inocentes em conspiradores terríveis que queriam transformar o Brasil em uma república comunista", disse Melo, falando das pesquisas que resultaram no livro.



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