quarta-feira, 14 de junho de 2017

Armar o cidadão, é armar a bandidagem!

O doloroso episódio do senhor idoso que matou sua esposa ao ter confundido a mesma com um ladrão, traz muitos ensinamentos.


A pregação em favor do porte de armas pelo “cidadão de bem” é carregada de temperos fascistas. Normalmente, em meio à discussão sobre o tema, afirma-se que diante de assaltantes “profissionais” a pessoa não tem a menor chance de usar a arma que tem em casa, mas quem disse que o “cidadão de bem” se arma para enfrentar grandes assaltos? O alvo dos balaços do zeloso “chefe de família” de “conduta ilibada”, são os ladrões de galinhas, ou, suas versões modernas, os pobres diabos que buscam desesperadamente qualquer traste para vender e assim sustentar seu vício, ou acertar suas contas com o traficante implacável. E que somente agem, soltos, porque a sociedade não está preparada nem quer preparar-se para dar-lhe o apoio para tirá-lo da vida miserável em que se encontra.

Pesquisa feita por uma ONG em São Paulo, com apoio do MP-SP, apurou que 38% das armas apreendidas com bandidos foram adquiridas licitamente. Mas o percentual pode ser bem maior, pois mais de metade do material bélico apreendido tinha a numeração raspada, e essa é uma medida tomada normalmente para eliminar prova de outro crime anterior, justamente o de roubo ou furto do armamento.

O porte da arma, a reação do cidadão diante de um assalto, são atitudes que, além de oportunizar ao meliante a “aquisição” de uma arma, podem resultar em uma tragédia maior, como a morte do portador, ou até tragédias piores, como a da semana passada em uma localidade do interior gaúcho.


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