sexta-feira, 16 de junho de 2017

Desde quando o MP e a polícia só precisam buscar provas de "fácil obtenção"?

Um lembrete deveria chegar aos altos escalões do judiciário e do MP: reconhecer a absoluta falta de provas contra alguém, e mesmo assim atribuir-lhe a prática de crime, tem nome: é prática de crime de calúnia! 


 O que falar das peças acusatórias do Procurador Dallagnol contra Lula, a não ser manifestar a mais profunda indignação?

Se essas palhaçadas todas fossem cometidas contra qualquer cidadão comum, ou contra políticos não demonizados pela mídia, o mundo viria abaixo no universo jurídico. Mas como a vítima desses absurdos é o tão odiado Lula...

O maior disparate é a afirmação de que “Se é extremamente importante a repressão aos chamados delitos de poder e se, simultaneamente, constituem crime de difícil prova o que se deve fazer? A solução mais razoável é reconhecer a dificuldade probatória”. Quanta inteligência! A que conclusão brilhante chegou o “procuradorzeco”! Quando algo se revela difícil, é preciso reconhecer essa dificuldade!

 O que impressiona, é a cara e pau do “justiceiro II” de Curitiba, de tentar alegar que, quando uma prova é de difícil obtenção, o investigador estaria dispensado de fazê-lo. Atenção professores: se a matéria é difícil de ser explicada, não precisa explicá-la; o agricultor, se tem na sua propriedade um trabalho de difícil execução, não precisa executá-lo, pode considera-lo feito! E assim por diante...

Seria o caso de algum repórter perguntar ao Dr. Deltan, desde quando uma autoridade investida de poderes investigativos recebe seus vencimentos para buscar somente provas fáceis! Quando um assassino tira a vida de alguém, e surge um suspeito, verifica-se o grau de dificuldade de obtenção da prova, e se for constatada a “dificuldade probatória” dallagnoliana, condene-se sem provas!

Alguém avise o dito sujeito, que se provar a culpa de Lula está difícil, as provas de sua inocência são de fácil obtenção. Basta ir aos autos, ou ao Registro de Imóveis do Guarujá, perguntar a quem pertence o tal famigerado tríplex. Ou verificar nos depoimentos quantas vezes Lula e Dona Marisa usufruíram do imóvel, para configurar ao menos sua posse.

 Para concluir, um lembrete deveria chegar aos altos escalões do judiciário e do Ministério Público: reconhecer a absoluta falta de provas contra alguém, e mesmo assim atribuir-lhe a prática de crimes, tem nome, juridicamente falando: é prática de crime de calúnia!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Armar o cidadão, é armar a bandidagem!

O doloroso episódio do senhor idoso que matou sua esposa ao ter confundido a mesma com um ladrão, traz muitos ensinamentos.


A pregação em favor do porte de armas pelo “cidadão de bem” é carregada de temperos fascistas. Normalmente, em meio à discussão sobre o tema, afirma-se que diante de assaltantes “profissionais” a pessoa não tem a menor chance de usar a arma que tem em casa, mas quem disse que o “cidadão de bem” se arma para enfrentar grandes assaltos? O alvo dos balaços do zeloso “chefe de família” de “conduta ilibada”, são os ladrões de galinhas, ou, suas versões modernas, os pobres diabos que buscam desesperadamente qualquer traste para vender e assim sustentar seu vício, ou acertar suas contas com o traficante implacável. E que somente agem, soltos, porque a sociedade não está preparada nem quer preparar-se para dar-lhe o apoio para tirá-lo da vida miserável em que se encontra.

Pesquisa feita por uma ONG em São Paulo, com apoio do MP-SP, apurou que 38% das armas apreendidas com bandidos foram adquiridas licitamente. Mas o percentual pode ser bem maior, pois mais de metade do material bélico apreendido tinha a numeração raspada, e essa é uma medida tomada normalmente para eliminar prova de outro crime anterior, justamente o de roubo ou furto do armamento.

O porte da arma, a reação do cidadão diante de um assalto, são atitudes que, além de oportunizar ao meliante a “aquisição” de uma arma, podem resultar em uma tragédia maior, como a morte do portador, ou até tragédias piores, como a da semana passada em uma localidade do interior gaúcho.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Agronegócio paga alto preço por ter cuspido no prato em que comeu!

Com Lula e Dilma grandes produtores tiveram crédito farto, apoio para renovação da frota, investimentos em pesquisa. Mas "frescuras ideológicas" colocaram fazendeiros permanentemente na oposição.


Pode-se afirmar, sem nenhum exagero, que o agronegócio brasileiro cuspiu no prato em que comeu, politicamente falando. Depois de por vários ano receber amplo apoio da política agrícola dos Presidentes petistas, por “frescuras ideológicas”, votaram maciçamente em Aécio na sucessão presidencial de 2014. É só olhar o resultado eleitoral em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, e nos estados do Sul.

A conta veio agora. Os grandes criadores de gado amargam queda de 10% no preço do boi vivo. A culpa é da lambança criada pelas delações do pessoal da JBS, mas, segundo especialistas ouvidos pelo Globo Rural, também da queda do consumo resultante da crise econômica atual.

Situação bem diferente do tempo de Lula e Dilma. Lembro que houve um período que começou a faltar gado para abate, e a explicação dada foi que os criadores estavam capitalizados, e por isso podiam esperar que o preço melhorasse ainda mais. O crescimento do consumo frequentemente era citado como um fator que melhorava os preços pagos ao produtor.

Na tabela acima uma ideia desse crescimento, considerando principalmente ovos, e carne de frango e suíno, as que mais cresceram. Veja-se que do ano 2000, final das gestões FHC, portanto, a 2012, em todos os setores houve um salto extraordinário.

Com a valorização do salário mínimo e o quase pleno emprego as camadas mais pobres ingressaram no mercado de consumo. Mas isso incomodava a direita, inclusa a agricultura empresarial, que quis atirar na esquerda, mas deu um balaço no próprio pé!


quinta-feira, 8 de junho de 2017

O vergonhoso caso dos nove chineses

Capa do Livro lançado em 2014

O primeiro escândalo da ditadura de 64: jornalistas e empresários chineses que viviam legalmente no Brasil foram presos, torturados e deportados.


Em abril e 1964, poucos dias depois do golpe militar que derrubou o Presidente democraticamente eleito João Goulart, nove cidadãos chineses foram presos pela ditadura, acusados de serem espiões estrangeiros planejando começar uma revolução comunista no Brasil.

Os nove chineses foram mantidos incomunicáveis por 39 dias. Permaneceram na prisão pelo resto do ano, sofrendo tortura e as terríveis condições do sistema prisional brasileiro, e foram “julgados” e condenados a dez anos de prisão. Poucos meses depois, todos os nove homens foram expulsos do Brasil.

Os “perigosos espiões chineses” eram, na verdade, dois jornalistas, quatro homens envolvidos na criação de uma feira de produtos chineses, e  três comerciantes de algodão - tinham vindo para o Brasil como parte de uma missão comercial que se seguiu à visita do presidente João Goulart à China, em 1961.

O incidente marcou o primeiro escândalo internacional das violações de direitos humanos envolvendo a ditadura militar no Brasil, e mesmo após o estabelecimento de relações diplomáticas, o Brasil nunca pediu desculpas à China ou devolveu o dinheiro apreendido dos nove homens no momento de sua prisão - o que equivale a mais de 360 mil dólares de hoje.

A história dos nove cidadãos chineses injustamente encarcerados no Brasil permaneceu praticamente esquecida até 2014, quando o livro dos jornalistas Ciça Guedes e Murilo Fiúza de Melo, “O Caso dos Nove Chineses”.

"A coisa mais impressionante para mim foi essa paranóia, que tornou nove homens inocentes em conspiradores terríveis que queriam transformar o Brasil em uma república comunista", disse Melo, falando das pesquisas que resultaram no livro.



quarta-feira, 7 de junho de 2017

O pavor da direita não é perder para Lula, é enfrenta-lo em uma campanha eleitoral!

A direitalha, que precisa tirar do caminho o líder político chato, que insiste na tese da inclusão social dos mais pobres, sabe que seria desastroso para as suas pretensões o “bode cachaceiro” poder usufruir de semanas a fio de programas de propaganda eleitoral na TV.


Como o aluvião que vai sendo depositado lentamente e sedimentando no fundo do rio, o ódio patológico contra Lula foi sendo alimentado aos poucos, com mitos, calúnias e mentiras. Fenômeno, aliás, que é muito anterior ao Lula Presidente. Já era preciso desmoralizá-lo como dirigente sindical, por isso, bem antes de ser proprietário “só-que-não” de um tríplex na Baixada Santista, ele tinha uma suntuosa mansão no Morumbi, que até hoje ninguém viu, nem sabe onde se localiza.
A direitalha, que precisa tirar do caminho o líder político chato, que insiste na tese da inclusão social dos mais pobres, sabe que seria desastroso para as suas pretensões o “bode cachaceiro” poder usufruir de semanas a fio de programas de propaganda eleitoral na TV. Luís Inácio teria espaço amplo e sem contestação para chamar seus acusadores à “prestação de contas”, para que fossem apresentadas, finalmente as provas resultantes da furiosa devassa em suas contas bancárias, seu patrimônio, sua vida e de dezenas de pessoas físicas e jurídicas de seu círculo de relações.
As massas imbecilizadas pelo veneno midiático de início explicariam tudo pela “extrema cara de pau” de um suposto bandido que não ficaria vermelho ao negar seus malfeitos, mas esse argumento teria prazo de validade. Somado um primeiro e um eventual segundo turno, seriam mais de quarenta dias de programa eleitoral televisivo, sem falar dos prováveis debates. Cobrando provas, contas bancárias, patrimônio, Lula teria absoluto domínio da situação. Colocaria, sem a menor dúvida, seus detratores na defensiva.
Entre os entrevistados pelas pesquisas de opinião que formam o favoritismo do metalúrgico/presidente certamente há muitos adeptos do “roubou mas fez”. Difícil imaginar o resultado quando, ao fim e ao cabo de uma campanha eleitoral, multidões forem convencidas que “além de ter feito, não roubou!” É essa perspectiva que tira o sono dos golpistas que, para piorar, afundam na lama a cada dia mais!



terça-feira, 6 de junho de 2017

Enquanto a direita bate, Lula cresce!

Nova pesquisa Vox Populi contratada pela CUT mostra crescimento de Lula e derretimento das candidaturas tucanas. O levantamento foi feito de 2 a 4 de junho. Na votação espontânea Lula tinha 31% da preferência do eleitorado em dezembro do ano passado, em abril de 2017 subiu para 36% e agora, em junho, saltou para 40%. Lula vence também na pesquisa estimulada, com qualquer candidato. Com Alckmin concorrendo pelo PSDB, em outubro de 2016 o ex-Presidente petista tinha 35% dos
votos, em dezembro foi a 38%, e em duas pesquisas realizadas neste ano, em abril e junho, 45% da preferência. Em eventual segundo turno, Lula bateria qualquer candidato: Alckmin, Dória, Marina ou Aécio. Outro resultado importante da pesquisa, é o encolhimento das candidaturas tucanas. Na pesquisa estimulada, tanto Alckmin quanto Dória fariam hoje 4% dos votos, deixando o PSDB fora de eventual segundo turno. Na votação espontânea, ambos aparecem com 1%. 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A incrível capacidade da direita brasileira de se auto enganar

Em 26 de setembro de 2016 a consultoria Amcham Brasil publicava pesquisa dando conta que “para 61% das empresas, o pós-impeachment representará retomada dos investimentos já no curto prazo”.
Bem antes, em 26 de março do ano passado,  o Diretor da rede de Lojas Riachuelo Flávio Rocha também derramava otimismo diante da perspectiva da deposição da Presidenta Dilma: em entrevista ao Portal Terra ele previu que “sem Dilma, retomada dos investimentos seria instantânea.” Rocha até exemplificou com a Argentina: “não precisou de dez dias para a criação de um círculo virtuoso”.
Não creio que seja má fé, nem intenção de enganar ninguém. Por aqui, na nossa região, não é diferente. O catecismo neoliberal tem muitos seguidores. Inclusive entre aqueles que foram beneficiados com a distribuição de renda e expansão do consumo interno nos governos petistas.
Isso tudo me faz lembrar de uma cena de uma antiga novela da Globo (juro que peguei o lance por acaso, não assisti a novela): Fernanda Montenegro fez papel de vilã, e no finzinho do último capítulo, fugindo de avião olhou para baixo e bradou:

- Bando de idiotas!

sexta-feira, 2 de junho de 2017

O Brasil afunda, mas Temer comemora!

O crescimento da agropecuária e mineração "salvou" o primeiro trimestre. Todos os demais setores, inclusive indústria, comércio e serviços, encolheram em relação a 2016.

Na busca desesperada por um pouco mais de sobrevida, Michel Temer forçou a barra para “comemorar” uma retomada de crescimento que absolutamente não existiu.
De janeiro a março, primeiro trimestre portanto, o Produto Interno Bruto efetivamente teve um pequeno incremento de 0,9% em relação ao trimestre anterior - outubro a dezembro de 2016. Essa elevação, contudo, deveu-se principalmente ao crescimento da produção agropecuária, que deu um salto de 15,2% na comparação com o primeiro trimestre de 2016. Méritos de São Pedro, que mandou tempo favorável para as lavouras, e dos Governos Lula e Dilma, que apoiaram o setor primário, promovendo a sua capitalização.  Ajudou também o crescimento da indústria extrativa mineral, com elevação de 9,7%, e eletricidade, gás e saneamento, com mais 4,4%. Esse último setor, na verdade, também colhe os frutos dos investimentos feitos nos Governos Petistas.
Acabou aí. Em todos os demais setores, como se pode ver na imagem acima, a economia encolheu nos três primeiros meses de 2017, na comparação com idêntico período de 2016. Especialmente setores importantes, como indústria, comércio, serviços e construção civil.
São dados do IBGE, que tem outras más notícias sobre a nossa economia. De janeiro a abril deste ano, a produção do setor industrial sofreu retração de 0,7%. Em 12 meses, até abril, a taxa acumulada ficou negativa em 3,6%.
Mas tudo isso ainda não é o mais preocupante; a Taxa Bruta de Capital Fixo, o índice mais importante, pois reflete as perspectivas de crescimento futuro, reflete também a qualidade do crescimento, caiu em todas as comparações: queda de 1,6% em relação ao trimestre imediatamente anterior, e 3,7% em relação a janeiro/março do ano passado.